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Nota do tradutor: A falta de informação conveniente leva, muitas das vezes, ao pré-julgamento sobre práticas que desconhecem e é exatamente sobre algumas dessas ideias previamente concebidas, e sobre as quais as pessoas não buscam a informação correta continuando a entender essas práticas de forma errada, que este artigo fala.

O Naturismo pratica-se em ambiente fechado, alimento de muitas fantasias e preconceitos. Debrucemo-nos juntos sobre os principais pré-julgamentos que ensombram esta prática, que atrai tanta curiosidade!

Pré-julgamento 1 – Os naturistas representam uma pequena parte da população
1,5 milhões de franceses praticam o naturismo todos os anos, do seu padeiro ao seu chefe, são muito mais numerosos do que possa pensar! Só que o tema é difícil de abordar e os preconceitos ainda são muitos, a prática geralmente permanece escondida na sombra. A França é, no entanto, considerada a rainha do naturismo: de facto, numerosos estrangeiros frequentam todos os anos os nossos centros porque o país, um pioneiro na prática, oferece uma ampla oferta qualitativa nesta área.

Pré-julgamento 2 – Devem fazer sexo nas moitas
O Naturismo não tem qualquer relação com trocas de casais. Nada! Também nunca percebi muito bem de onde possa vir essa confusão. Nudez e sexualidade não são sinónimas! A sexualidade continua a ser do domínio da intimidade, do domínio de que cada um guarda para si. Cuidado com os atalhos! Cap d'Agde[1]  é tudo menos representativo da prática do naturismo!

Pré-julgamento 3 – Devem estar sempre a mirar para todos os lados
Por mais surpreendente que possa parecer, um corpo nu, melhor ainda, 3.000 corpos nus de uma vez, nada de erótico representam. Um biquíni sexy é muito mais excitante do que um corpo na sua indumentária mais simples. Atrativo é a sugestão de feminilidade ao se vestir, usando de artifícios para sublimar o corpo. Destacamo-nos menos num clube naturista do que num "têxtil", não tanto por respeito à nudez do outro, mas porque estamos tão vulneráveis e nus como os restantes! Nos clubes naturistas, não há a ideia de sedução pelo corpo, não escolhemos despirmo-nos para nos mostrarmos ou exibir, opta-se por nos sentirmos bem, regressar ao essencial e, durante alguns dias, simplificar a vida, desfrutar da liberdade e de viver em harmonia com a natureza.

Pré-julgamento 4 – Não é um local para as crianças
Desengane-se, a atmosfera é muito familiar. Por ter falado com muitos pais naturistas, a nudez não se coloca como um problema para as crianças. Olhe para eles, eles gostam de viver nus e a roupa é algo de que eles se tentam livrar por todos os meios. No fundo, este é o paraíso para eles! As perguntas podem aparecer na adolescência, durante a qual, especialmente os rapazes, começam a ter problemas com a sua privacidade. Nestes casos, ninguém vai forçá-los, e a sua escolha será respeitada.

Pré-julgamento 5 – Somos obrigados a estar nus
Não necessariamente. Alguns clubes são mistos para permitir aos têxteis acompanhar os seus cônjuges, os seus amigos, em férias. E mesmo nos clubes mais puristas, são poucos os locais que obrigam à nudez (normalmente na piscina e na praia, em geral), mas não no resto do acampamento.

Pré-julgamento 6 – É coisa de hippy do Maio de ‘68[2]
Eh pá, não tanto! Bom, no fundo, os valores naturistas são baseados no respeito pelos outros, na tolerância e no viver em harmonia com a natureza. Mas, nestes clubes, a maioria das pessoas são pessoas como qualquer um de nós, nem mais biológico, vegan ou yoga que os outros! 45% dos nudistas em França têm menos de 30 anos de idade, têm uma vida coerente com a sua geração, nem mais, nem menos, do que em outros locais (fonte: Federação Francesa de Naturismo).

Pré-julgamento 7 – (especial para homens) Mas se eu tiver uma ereção?
Não há risco! A nudez permanente dessexualiza os pensamentos. A verdadeira questão para o homem geralmente é "Mas vai voltar a funcionar?!" A nudez é a norma nestes locais, então, nada de excitante!

Pré-julgamento 8 – É só boazonas
Há boazonas sim! Mas há de tudo! Especialmente a menina de bem com ela própria de facto! Seja ela pequena, gorda, grande, magríssima, com celulite, tatuada, reconstruida, ela fez a escolha de lá estar, porque ela decidiu ignorar os ditames e viver em total liberdade! Comparemos as duas primeiras horas, até percebermos que há de tudo, que todos nós temos defeitos, mas, no final, que tudo isso tem muito charme e que não somos loucos! A nossa humanidade não é perfeita e é isso que a torna cativante. E é incrível perceber que afinal é a roupa que vestimos que cria divisões, complexos, entre nós.

Pré-julgamento 9 – É sujo
Porque é que um corpo nu lavado diariamente é mais sujo do que um fato de banho do qual não conhecemos o estado de limpeza? O naturismo é, em essência, uma higienização da mente! Sanitários e chuveiros são de uma utilidade irrepreensível, para nos limpar, para nos manter. E, o bom naturista, que se respeita, nunca sai sem um paréo ou uma toalha debaixo do braço para se sentar! Então, que mais?

Pré-julgamento 10 – Jamais tiraria a parte de baixo!
Não criemos ilusões: é o mais difícil. Muito mais difícil do que a parte de cima! Mas depois de três horas a se sentir totó com a sua parte de baixo no meio uma horda de cus ao léu a refrescar, acabamos por nos sentir tentados. E... Esquecemos tudo! Liberdade! Porque aqui entre nós, tomar banho no mar, ou tomar o seu duche, nu sob uma leve brisa, não tem preço!

Pré-julgamento 11 – Deve ser super retardado
Os clubes naturistas são muitas das vezes lugares calmos e de natureza intocada. Mas isso não os impede de oferecer todos os serviços que apreciamos nas férias: centro aquático a céu aberto, supermercado, bar à beira mar, restaurantes, centros de spa... Estes centros foram capazes de acompanhar as mudanças na sociedade e de se adaptar às necessidades dos turistas, preservando os seus valores.

Pré-julgamento 12 – E se o tempo piora?
O naturista não é nem sobre-humano nem suicida: quando o tempo fica frio, ele veste-se. (Sim sim, eu juro!)

[1] Cap d'Agde é um complexo turístico francês situado na costa mediterrânea, a 70 km para sul de Montpellier
[2] Maio de ’68 foi um movimento estudantil francês que alastrou à restante sociedade e mudou vários dos paradigmas sociais de então

Publicado no Billet d'humeur, Lifestyle por Perrine
Para saber mais: Sylvain Villaret, Histoire du naturisme en France depuis le Siècle des Lumières, éditions Vuibert, 2005

Traduzido e adaptado por José Luís Vieira a partir de:
http://restonsfutiles.com/2015/07/20/12-prejuges-sur-le-naturisme/
em 17/08/2015
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