4exercicios - Associação Pensamentos ao Vento

Ir para o conteúdo

Menu principal:

Estudos científicos recentes mostram que para o nosso bem-estar psicológico é muito importante desenvolver, ou melhor, recuperar um relacionamento calmo e equilibrado com a nudez do nosso corpo, superando o desconforto, a vergonha e o medo que nos dá a ideia de estar nu, principalmente na presença de outras pessoas.

Massimo Soldati é psicólogo e psicoterapeuta de Milão que, em 2000, publicou o livro Corpo e Mudança, reeditado em 2007. No seu livro indica: "O olhar, muitas vezes tão grave, que nós colocamos no nosso corpo é a soma dos muitos olhares recebidos nas nossas vidas. Comentários
incautos feitos pelos pais, pelo marido ou por um amante permanecem impressos como marcas de queimaduras, e mesmo depois de muitos anos lembramo-nos de certas partes do corpo com sentimentos negativos, como se tivessem algo de errado. Confrontar a sua própria nudez torna-se então um teste, um teste a ser passado, ou transforma-se num sofrimento. E acaba por sentir o corpo como um fardo pesado, algo que nos aconteceu, mas que não nos pertence. "

Em vez disso, se conseguirmos estar confortáveis com a nossa nudez, podemos experimentar algo sensual e libertador, algo que nos faz sentir plenamente vivos. Ainda de acordo com Soldati "Nudez, é algo puro e limpo, algo que nos liberta de defesas desnecessárias que o medo constrói, e que nos aproxima ainda mais da simplicidade da nossa alma. A sensação de sujidade que projetamos sobre o corpo nu é mais um condicionamento atávico[1] da mente, do que a realidade do corpo ".

Mas como é que se consegue transformar a vergonha e o desconforto causado pelo facto de estar nu numa fonte de conforto e prazer? Aqui ficam quatro "exercícios" que Soldati sugere que pratiquemos para atingirmos a "paz com a própria nudez."

1) Faça as pazes com seu corpo. Todos os dias deve fazer uma pequena pausa para entrar em contacto com o seu corpo de forma consciente. Por exemplo, respirar profundamente com os olhos fechados, sentir o odor da pele, acariciar braços, pescoço, pernas. É ótimo para se massajar também: equipar-se com um bom óleo ou creme e andar com suas mãos por todo seu corpo. A automassagem lembra-nos que somos criaturas tridimensionais, feitos de pele, esqueleto, cartilagens, músculos. Sentir-se bem nu também significa aprender a viver com esta fisicalidade e de "habitar" o próprio corpo.

2) Dispa-se e lave-se lentamente. Quando se despe não deve fazê-lo mecanicamente, tente antes diminuir o ritmo. Tire uma peça de cada vez, lentamente, faça pausas e ouça as sensações. Sente alívio, constrangimento, fragilidade, vergonha ou o quê? Não julgue as suas reações, aceite-as. Faça o mesmo exercício ao lavar-se. Em vez de entrar em "piloto automático" lave-se como se passasse shampoo no carro, com tempo e atenção. Explore o seu corpo como se fosse a primeira vez, sinta a maciez da pele e o calor do ventre. Se praticar este exercício todos os dias, vai descobrir que os movimentos e a distração provocada pelo hábito vai disfarçar o seu desagrado para com o corpo. E isto pode mudar a sua atitude.

3) Olhe-se ao espelho sem julgamentos. Em geral, antes de enfrentar o olhar dos outros, olhe-se no espelho já vestido. Mas o que vemos refletido, bem decorado e coberto por roupas, não é o nosso corpo "real", é antes uma imagem que não corresponde à realidade. Olhe-se nu, na verdade, é outra coisa completamente diferente. E se, em geral, raramente faz isso, é porque está com medo das emoções que possam surgir. Tente colocar um espelho grande na casa de banho, para que tenha uma visão completa do seu corpo. Em gestos quotidianos, como a higiene pessoal, aprenda a familiarizar-se com a sua nudez e recupere o seu corpo para o que ele é. No início, pode ser difícil manter o olhar e existirem pensamentos negativos ("olha que barriga", "estou em baixo de forma", "sou realmente gorda/o", e assim por diante), mas com o hábito e esforço para não se julgar, você e o seu corpo vão-se tornar cada vez mais amigos.

4) A prática de nudismo. Geralmente limita-se a experiência de nudez para os momentos de intimidade sexual. Em vez disso, devemos aprender que estar nu é natural e normal. Como se fosse necessário, por vezes, é preciso lembrar que nascemos nus. Estar nu em casa, sem pensamentos mórbidos, sem convicções nem complacência para com o seu corpo, pode ser uma experiência extremamente libertadora. E a prática de nudismo ao ar livre, na natureza, é ainda melhor, porque tudo é mais bonito e rico em estímulos sensoriais.

Resumindo, o nudismo tem uma forte componente psicoterapêutica e é uma fonte inesgotável de prazer, o que é importante aprender a atingir se pretendemos encontrar uma grande ajuda para nos sentirmos confortáveis com o nosso corpo e com energia renovada para enfrentar o stress diário. Se conseguirmos "conciliar a nossa nudez", se tivermos a coragem de superar a nossa vergonha e os nossos medos, descobrimos então um mundo maravilhoso onde encontramos o bem-estar que vem da simbiose do nosso corpo nu com o mundo natural que nos rodeia.

[1] a·ta·vis·mo
(francês atavisme)
substantivo masculino
1. Propriedade de os seres reprodutores comunicarem aos seus descendentes, com intervalo de geração, qualidades ou defeitos que lhe eram particulares.
2. Semelhança com os antepassados.
"atavismo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/atavismo [consultado em 20-02-2015].

Traduzido e adaptado por José Luís Vieira a partir de:
http://esserenudo.net/2014/06/04/quattro-esercizi-per-sentirsi-bene-nudi/
em 20/02/2015
Voltar para o conteúdo | Voltar para o Menu principal