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Como mulheres, quantas vezes nos vemos umas às outras "au naturel" e nos sentimos realmente confortáveis?

Quando eu era estudante nos EUA, rapidamente dominei a arte de mudar de roupa no balneário sem mostrar mais que um tornozelo. A modéstia era tão predominante, era como se devêssemos manter, de alguma forma, as nossas roupas ao mesmo tempo que nos despíamos.

Então, quando dei comigo acidentalmente num spa nudista no meio dos alpes austríacos, no
inverno passado, não foi surpreendente que tenha começado a pensar sobre a minha bagagem corporal.

Quando o meu amigo e eu fomos para a área de spa, esperávamos ver toalhas brancas e macias, fatos de banho e corpos de todas as formas e tamanhos. Mas em vez disso, tudo o que usavam era o fato de nascimento. Eu arrepiei-me. Eu não me inscrevi para isto. Voltei à tímida miúda do sétimo ano no balneário.
Olhando em redor pelo mar de corpos nus, senti imensa vergonha. Eu não faço depilação. Tenho estrias nas ancas por ter tido um bebé. A minha mama esquerda é um pouco maior do que a direita. Quando foi a última vez que depilei as pernas? Oh meu Deus, as mamas daquela mulher de 50 anos são maiores que as minhas. Será que o meu rabo vai ser parecido com isso quando tiver 70? Não. Deus não! Pelo menos eu faço exercício. Bem, eu acho que estou mais magra do que aquela. E assim por diante.
O meu amigo suspirou, olhou para mim e disse: "Eu acho que será considerado rude se não tirarmos a roupa." Rude?! Então, recusei-me, mas depois da nossa primeira sauna, comecei a entender a lógica por trás da política de não-roupas. Eu estava a superaquecer seriamente. Com uma inspiração profunda (e um enorme suspiro!) tirei o meu top.
As minhas mamas... Estavam lá... Percebi que era mais fácil tirar a camisa na frente de um parceiro sexual, do que descobrir o meu peito em público.
Mas em vez de fixar-me em como as minhas meninas estavam, eu decidi redirecionar o meu foco para o porquê de sentir tanta vergonha. Por que razão o meu primeiro impulso foi comparar o meu corpo com todos os outros? Porque estava a catalogar cada centímetro de celulite que via? Porque estava obcecada com o quão terrível eu pensava que parecia?

Aqui estão cinco libertadoras razões pelas quais não deve ter medo de ficar nu:

1. "Perfeito" é uma ilusão
Mesmo que eu esteja feliz com o meu corpo na maioria das vezes, ainda sinto uma imensa pressão para que ele pareça "perfeito". Desde cedo aprendi como me tornar mais atraente para os homens - como curtir, usar saltos altos, saias curtas, arranjar as sobrancelhas, entupir-me de maquilhagem, etc. E ainda, quando todas as roupas saem, tendo a preocupar-me com todas as imperfeições, porque, vamos encará-lo, nenhuma de nós está penteada.
"Imperfeição" significa que existe um modelo de perfeição, e isso não é verdade. Cada corpo é diferente. Quando olhei ao redor do spa naquele dia, não era o meu corpo que me separava de todos os outros, era a minha atitude.

2. Estar vulnerável em frente de outros é algo bom
Na Europa - especialmente na Alemanha - é perfeitamente normal largar o fato de banho e ir dar um mergulho descascado. Ir para a sauna é um passatempo comum e é geralmente subentendido que todos estarão sem roupa. No estúdio de Yoga, onde ensino, até há uma sala de sauna na cave - no caso de não suar o suficiente na aula. Descobri que ver outros corpos nus pode tornar-nos mais confortáveis na nossa própria pele, se estivermos dispostos a sentar-nos com o desconforto e o medo.

3. Quando julgas os outros, está a julgar-te a ti próprio
Percebi que estava com medo de enfrentar o meu próprio autojulgamento. Em vez de praticar a autocompaixão, eu fazia reset para o medo. A sociedade ensinou-nos a julgar e a criticar, em vez de amar e cuidar de nós próprios e dos outros.
A primeira vez que fiquei na frente de uma aula de yoga como professora, e vi todos na Saudação ao Sol, eu percebi quantos sóis diferentes existem. Não parecem o que se vê nas revistas, nem os deles se parecem com o meu. Mas, ainda assim, foi um espetáculo bonito de se ver.
Quando nos comparamos com outras pessoas, é uma forma de automutilação. Temos que cuidar do nosso corpo física e emocionalmente, e às vezes é igualmente importante - se não mais importante - ter também uma rotina de exercício emocional. A meditação é altamente eficaz para isto.

4. Quando se sentir confortável com a nudez, vai se sentir menos inclinada a usar maquilhagem e saltos altos
Eu nunca fui uma rapariga muito feminina - não é o meu estado natural. Às vezes apetece-me usar batom (mas na maioria das vezes não) mas finalmente percebi e aceito que isso é normal. Embelezar-me era uma forma de me inferiorizar. Perder a vestimenta ajudou-me a sentir confortável com ser eu mesmo.

5. Expor os seus pedaços à Mãe Natureza é uma sensação muito boa
Como a neve nos picos alpinos, também o meu corpo irá um dia derreter. Meu rabo vai ficar flácido e minha pele vai enrugar.
Se praticar Yoga me ensinou alguma coisa, é que eu não sou o meu corpo e eu não sou a minha mente. Tudo neste mundo é material, e está sujeito a mudanças constantes. Mesmo sentado aqui agora, e escrevendo isto, o meu corpo está a mudar. A minha pele é uma barreira importante para o mundo à minha volta e, de alguma forma, tirar a roupa, naquela montanha, fez-me sentir mais em paz com a natureza e comigo mesmo.

Samantha Rose

Traduzido e adaptado por José Luís Vieira a partir de:
http://www.mindbodygreen.com/0-16054/5-reasons-to-get-naked-more-often.html
em 16/11/2014
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