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Em 2004, Wendy Scharf, estudante na Universidade de St. Lawrence, vivenciou, na Dinamarca, uma experiência marcante que a fez passar a encarar a nudez de uma forma completamente diferente.

Então lá estava eu, de pé no vestiário. Havia oito crianças de quatro anos (meninos e meninas), as duas professoras (em torno da idade de vinte e cinco) e eu. Era uma quarta-feira, o que significa que era dia de natação. Com toda a gente à minha volta a despojar-se da roupa, senti o meu coração falhar um batimento enquanto me perguntava onde eu iria mudar de roupa.

"Hum. Tenho mesmo de tirar a roupa e mudar-me na frente das crianças?" Perguntei, timidamente.

"Bem, a menos que esteja a pensar nadar com a roupa, acho que seria uma boa ideia tirá-la", Foi a resposta dinamarquesa. Elas não estavam acostumadas aos meus pontos de vista culturais sobre a nudez; mas eu estava. Bom, já que não queria que as crianças pensassem que eu era esquisita, respirei fundo e despi-me.

Estar ali nua, durante os primeiros cinco minutos, foi a coisa mais difícil que alguma vez fiz - ou assim pensava. Aqui, na Dinamarca, quando nos mudamos num vestiário, é costume passearmos nus. A toalha não tem outro propósito a não ser servir para nos secarmos - não é uma cobertura para o nosso corpo nu. Este foi um grande passo para mim. É a forma americana de usar a toalha como um escudo para não expor o traseiro nu aos outros. Bem, não aqui.

Então, segui para a sala do chuveiro (nua), juntamente com a minha turma de crianças nuas e as duas professoras nuas. A sala do chuveiro consistia num longo corredor de duches - não havia onde me esconder! Eu tinha que sorrir e suportar, literalmente. Depois do nosso banho comum a nu, de seis a dez minutos,  vestimos finalmente os nossos fatos de banho e fomos nadar.

Eu pensei que tinha realizado um grande feito! Eu, a modesta americana, fiquei nua em frente de toda a turma e das professoras. Hurra para mim!! Mas, para minha surpresa, estava enganada.

Depois da nossa natação, entrámos mais uma vez na sala de chuveiros, nus. Os nossos fatos de banho e as toalhas foram penduradas, e a festa despida começou! Todos tomámos duche novamente (os dinamarqueses são pessoas realmente limpas!), quando peguei na minha toalha e me comecei a secar, fui alvo de olhares estranhos.

"Não me deveria estar a vestir ainda?" Perguntei com a apreensão visível nos meus olhos. Encontrei a resposta à minha pergunta quando vi oito pequenos rabos nus a correr para a sauna. Segui-os, indo com a corrente (sorrateiramente enrolei a toalha à volta da cintura! Fiz um pouco de batota!)".

Assim que entrei na caixa de vapor húmido, fui cumprimentada por pessoas nuas - elas estavam por toda parte! Olhei em redor, na esperança de encontrar alguém com uma toalha enrolada à sua volta, mas sem sorte.

Todos estavam sentados nas suas toalhas. Então, fiz como a maioria. Conscientemente alisei a minha toalha no banco e sentei-me, totalmente exposta, entre duas das crianças. Apenas me sentei, ciente de estar nua, ciente do facto de que não existir uma única parte do meu corpo escondida da vista de qualquer um. Devemos ter ficado por lá cerca de 20 minutos. Apenas sentada, completamente nua, numa sauna com oito crianças de quatro anos e duas professoras - uma visita de estudo em sala de aula.

Quando chegou a altura de sair da sauna, senti um pouco de alívio - Acho que estava a começar a me habituar ao meu estado de nudez! Mas foi-me dada outra hipótese à bravura porque tomámos duche mais uma vez. Eu estava a ficar boa na parte do chuveiro.

Após o duche final, todos nos secámos e vestimos as roupas. As roupas nunca me pesaram tanto na vida! Depois de ficar nua por tanto tempo eu sentia-me estranha com roupa! O que me aconteceu!!

A minha análise da situação é choque cultural grave. Eu experimentei choque cultural ao extremo - eu estava totalmente exposta, sem ter onde me esconder. Apesar disso, estou grata por tal experiência. Agora, olho para a mim nua de uma forma diferente. Quando estou nua, estou apenas nua. Deambulando nua com um grupo de pessoas que o acham normal é uma experiência de abertura da mente. Eu era a única que se sentiu desconfortável no vestiário, mais ninguém pensou nada da minha nudez. E isso me fez ver a nudez de uma forma diferente, de uma forma mais positiva. Eu recomendo este tipo de experiência a todos!

A minha experiência dinamarquesa com o ensino a nu é algo que eu nunca vou esquecer, e é aquela que não posso explicar por completo em palavras, daí a palavra experiência. Mas muitas vezes eu me pergunto, será que um dia começarei a ensinar a nu? Eu só posso imaginar! Mas provavelmente terei de me ficar com passear nua pelo meu quarto - é melhor começar por baixo quando nos convertemos ao naturismo! Só na Dinamarca se consegue voltar para casa com uma tradição destas - esperarem até a minha família ver o que eu apanhei aqui!

Traduzido e adaptado por José Luís Vieira a partir de:
https://groups.yahoo.com/neo/groups/naturist-christians-org/conversations/messages/888
em 13/09/2014
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