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Os defensores da nudez partem para a guerra contra a política de censura da rede social.

A  luta contra a política de censura do Facebook sobre a nudez está a  ganhar importância. Os seus oponentes receberam recentemente um  incentivo de aliados inesperados: a Federação Naturista Internacional  (FNI) juntou-se à luta contra a "censura política etnocêntrica" dos  meios de comunicação social. Instou os governos a cumprir as leis que  "garantem a liberdade de expressão e impedem a supressão de ideias."

"É como se retrocedêssemos uma centena de anos", declarou Stéphane Deschênes, membro da federação, numa entrevista ao i24news. "Em 1927, foi necessário nos juntarmos para lutar pelo direito de publicar um livro com fotos de nu na América e naquela época os livros eram uma forma de comunicação entre as pessoas e fazer viajar as ideias. Hoje, temos as médias sociais, mas não podemos comunicar a nossa mensagem, porque mesmo uma foto de alguém de costas pode levar ao encerramento de uma conta".
A FNI, uma organização que congrega 40 associações nacionais, que organiza atividades e faz lobby para os interesses dos seus membros, publicou, no mês passado, uma declaração oficial em nome de todos os seus membros para protestar contra o que considera uma tentativa de impor uma norma moral infundada. A esperança é usar esta evidência de uma frente unida para pressionar os governos a se envolverem. "Talvez se eles começarem a fazer perguntas", especula Deschênes, “o Facebook perceba que deve mudar antes que quaisquer leis sejam aprovadas."
O Facebook não é a única meta, sublinhou, mas a agressividade da sua política de censura e a popularidade do site tornaram-no no principal alvo.
"Como em 1927, as imagens ainda são essenciais para fazer passar a nossa mensagem, que é: a nudez não é indecente, imoral nem necessariamente sexual. Podemos escrever isso, mas mostrar corpos nus é a única maneira de mostrar que a nudez não é chocante. Colocar faixas pretas, desfocar ou borrar certas partes, que supostamente não são para se ver, produz exatamente o efeito oposto, ou seja, faz com que pareçam partes sujas".
Apesar das tentativas no sentido de respeitar as regras do Facebook, os chefes de FNI ficaram surpreendidos ao ver a conta encerrada no início deste ano, simplesmente porque publicaram uma imagem mostrando uma pessoa de costas na praia. Deschênes, que possui um centro naturista perto de Toronto, também teve chatices com a gigante das médias sociais, pois não permitiram publicar uma foto a mostrar homens a jogar vólei mostrando apenas a parte superior do corpo nu. "Disseram-me que era uma foto em que a nudez estava implícita e rejeitaram-me a imagem.”
Os críticos do movimento de protesto lembram que o Facebook, enquanto empresa privada, é livre para definir as suas próprias regras, mas Deschênes protesta. "Quando uma empresa se enraíza tanto na sociedade, o governo geralmente intervém para controlar e proteger os direitos das pessoas. Eu acho que o Facebook não é uma empresa privada", argumentou. "Uma empresa de telecomunicações não pode limitar o que dizemos, e a mesma regra deve ser aplicada aos meios de comunicação social. Há maneiras de permitir que as pessoas bloqueiem mensagens indesejadas, mas parar a fonte é inútil."
Além disso, segundo Deschênes, a política conservadora não reflete as atitudes culturais, e mesmo jurídicas, em relação à nudez pública em vigor em muitos países. "É especialmente confuso para os europeus - os holandeses, franceses e alemães - que não enfrentam as mesmas restrições na sua sociedade. Não é incomum ou chocante ver uma capa de revista no quiosque de jornais com uma mulher em topless. Mesmo no Canadá, é permitido que as mulheres andem pela rua em tronco nu, mas eu não posso colocar uma foto delas no Facebook."
Existe a ideia de que os naturistas desejam promover, através desse género de mensagens, apenas o prazer de estar nu. O movimento, que sempre foi baseado em valores de saúde e igualdade, quer agora voltar ao seu caminho original, depois de se dividir em muitas direções durante os anos sessenta e setenta. "Hoje, as pessoas pensam que o naturismo é simplesmente não vestir o fato de banho, mas a nudez é apenas o aspeto mais evidente", diz Deschênes. "Para nós, é ser quem somos, aceitar o nosso corpo e respeitar os outros, apresentando o verdadeiro e autêntico eu."
Escritores naturistas do século XIX sugeriram mesmo que, uma vez que essas ideias eram tão importantes, os políticos de todos os parlamentos deveriam começar a discutir as questões políticas na sua indumentária mais simples, estimando que isso passaria a ser sinal de boas maneiras e polidez.
"Parece loucura agora, mas para os naturistas, quando todos estão nus, toda a conversa se torna mais descontraída, as pessoas sentem-se mais à vontade para se abrir e expressar as suas opiniões."
Contudo, a nudez ainda é apenas uma ferramenta, sublinhou. "Também podemos ser naturistas quando vestidos, por nos opormos, por exemplo, a alguns anúncios que não respeitam as mulheres."
O uso da nudez como instrumento político pode lembrar o grupo radical feminista FEMEN que organiza manifestações em topless, mas Deschênes afirma que a comparação é problemática. "Se bem que os naturistas tenham sido sempre politicamente ativos, nós usamos o nosso corpo de uma forma diferente. Elas usam conscientemente o fator choque para fazer passar a sua mensagem, enquanto nós preferíamos eliminar completamente esse fator."
Nos últimos anos, estas ideias espalharam-se por novos lugares. Novas comunidades naturistas foram formadas na América do Sul, graças à redução da influência da igreja, e na África do Sul, onde a primeira praia de nudismo foi recentemente aberta. No entanto, ninguém pode afirmar que o movimento está a crescer: mesmo na Alemanha, o país que se vê como pioneiro nesta área, o número de nudistas tem diminuído ao longo dos últimos 20 anos e os fatos de banho voltaram a estar na moda, até mesmo nas praias da Alemanha Oriental, onde todos antigamente estavam nus.
"Na RDA, tomar banho nu era a norma, mas as coisas mudaram", declarou Michaela Toepper, vice-presidente da Associação Alemã para a Cultura do Corpo Livre. "Agora há clubes desportivos que oferecem atividades para toda a família." Atrair a geração mais jovem é um verdadeiro desafio, admite ela. "Têm outros interesses e outras responsabilidades, e o medo de aparecerem nus na internet é muito grande. Talvez as pessoas mais velhas aceitem melhor os seus corpos."
Para lutar contra este fenómeno, a associação participa em feiras e distribui, nomeadamente, revistas gratuitas. Mas Deschênes insiste que a mensagem não se torna menos atraente, é a forma como é transmitida. "A nossa sociedade está sexualizada e diz às mulheres que os seus corpos são para o prazer visual dos outros, mesmo que não possua um corpo suficientemente bom para mostrar. Isso faz com que a nossa filosofia se torne particularmente relevante, mas temos de a difundir na média social, para poder alcançar os jovens", sublinha.
"Os jovens são idealistas e pretendem mudar o mundo", continua, "a simples menção a não usar um fato de banho não é suficiente para os excitar. Para convencê-los, o movimento precisa enfatizar as crenças, e não as práticas ".

Polina Garaev, correspondente i24news na Alemanha

Traduzido e adaptado por José Luís Vieira a partir de:
http://www.i24news.tv/fr/actu/international/europe/81224-150807-facebook-veut-rhabiller-les-nudistes
em 11/08/2015
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