Porque são os naturistas pessoas tão amigáveis? - Associação Pensamentos ao Vento

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Artigo original escrito por um casal belga, Nick e Lins, e colocado no seu blogue em 12 de dezembro de 2016

Porque são os naturistas pessoas tão amigáveis?
Lembra-se da sua primeira impressão sobre os naturistas? É provável que fosse qualquer coisa como “um monte de pessoas nuas escondidas por trás de uma enorme vedação a fazer coisas que o resto do mundo não deveria ver”. Mas e a sua primeira impressão dos naturistas no momento em que se torna um deles? O termo “descontraído” pode ter vindo ao pensamento, ou “educado”, ou
“atencioso”. E provavelmente também “amigável”. Nunca conhecemos ninguém que tenha regressado da sua primeira experiência naturista a dizer “Estes naturistas, que cambada de idiotas egocêntricos”.

Porque será isso?
O naturismo será realmente um clube secreto de boa gente? Ou o naturismo é um presente, apenas dado a pessoas boas? Ou as pessoas tornam-se boas por andarem nuas?

Recuperando as suas raízes sociais
Atualmente, a privacidade é uma grande questão e se seguirmos as notícias podemos ficar paranoicos com extrema facilidade. O “Big Brother” está à espreita em todo o lado. O governo coloca câmaras em todas as esquinas, o FBI escuta-nos o telefone, o Facebook sabe quais os websites que visitamos e o Google lê-nos as mensagens eletrónicas. É assustador, nós sabemos.

Os nossos avós dizem-nos que antigamente tudo era diferente. Seria mesmo?
Os vizinhos sabiam tudo o que se passava em nossa casa. O empregado do café sabia qual a bebida preferida de toda a gente, o merceeiro sabia quem comprava os produtos mais caros e o bibliotecário sabia quem andava a ler os livros “proibidos”. O carteiro sabia quem escrevia cartas de amor e a quem e o padre sabia quais as que resultavam. E, de alguma forma, tudo se acabava por saber no cabeleireiro. Toda a gente sabia tudo acerca de toda a gente.

Porque era isto menos assustador?
Porque as pessoas conheciam quem sabia. Não era um olho obscuro no céu, mas era a Maria da casa ao lado e o Manel, sabe quem é o Manel, o filho da sobrinha da segunda mulher do tio João. E não havia problema em eles saberem porque eles eram um de nós. Nós não eramos apenas indivíduos. Eramos Nós, uma comunidade, uma aldeia. Bom, não queremos que os naturistas pareçam antiquados, mas não podemos ignorar as semelhanças. As mesmas semelhanças que podemos encontrar nas tribos africanas, ou da América do Sul, ou em qualquer outro lado onde um pequeno grupo de pessoas viva em comunidade e cujos elementos confiem uns nos outros. A privacidade perde o seu significado quando nos expomos inteiramente uns perante os outros. Quando todos os outros já nos viram nus, não volta a haver necessidade de nos escondermos por trás das roupas, de ter uma porta no chuveiro ou de inventar histórias para parecermos importantes.

Ligue-se
A melhor forma de fazer amigos é encontrar interesses comuns. Enquanto crianças é fácil: se se gosta de futebol, ballet ou saxofone, vai-se a uma associação e faz-se amigos. Ponto final. Quando se cresce, este processo fica mais difícil. Ser o novo miúdo do grupo é duro na adolescência e não fica melhor quando se é adulto. Começa-se no primeiro degrau e temos de saber quem devemos engraxar para sermos aceites. Se fossemos chimpanzés, seríamos aqueles que catavam os piolhos dos outros. Entre os naturistas é diferente, não parece existir uma escada social. Não existe um “naturista superior” que decida quem se pode juntar ao clube e quem vai ser o bobo da corte. Um dos pilares do naturismo é a equidade, e os que se juntam ao grupo estão ao mesmo nível de todos os outros. Quando parecemos perdidos, haverá quem se aproxime e pergunte se nos pode ajudar. Seremos saudados com um sorriso e um aceno de cabeça, frequentemente com um “olá” ou “como vai” e, de vez em quando, daremos connosco a conversar durante horas com alguém que não conhecíamos de lado nenhum.

Nós contra o mundo
Nós, naturistas, somos uma minoria. Somos uma minoria com leis contra nós, com pessoas a dizer-nos que o nosso modo de vida é errado, nada ético ou pervertido. E, por mais triste que seja, cria um laço. Pense acerca da sua reação quando alguém diz que também joga ténis. Dirá “Oh, porreiro, talvez possamos jogar um dia destes”. Mas quando descobre que alguém é naturista, é mais como “Oh meu Deus! A sério? Espetacular! Não sabia! Oh meu Deus! Sério! Isso é tão porreiro!”. Bom, talvez seja um pouco exagerado, mas percebeu, certo? De repente, alguém que pensávamos pertencer ao mundo das roupas, torna-se um de nós.

Mas onde isto vai parar?
Com a nudez pública, especialmente na Europa, a ter cada vez mais aceitação. Saímos das colónias naturistas e praias oficiais para parques no centro de Paris, ou para um restaurante na Baixa de Londres. Pedalamos pelas maiores cidades em pelo e conseguimos cada vez mais aceitação. O mundo começa a nos aceitar, começa a abrir-se mais e cada vez mais pessoas estão a dar o primeiro passo.

E se passarmos a ser o mundo?
Seremos capazes de manter a nossa identidade naturista? Não nos iremos perder no individualismo? Ainda seremos Nós?

Traduzido e adaptado por José Luís Vieira a partir de:
http://www.nakedwanderings.com/2016/12/12/nudists-friendly-people/
em 13/01/2017
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