nudezsocial - Associação Pensamentos ao Vento

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Na maioria dos países, a sociedade tende a ser um pouco hostil para com a nudez social. É considerado “normal” uma pessoa estar nua em algumas, poucas, circunstâncias e até apreciar essa nudez em alguns, ainda menos, casos. Mas há um forte tabu da esmagadora maioria contra o facto de uma pessoa estar nua por escolha própria. Este tabu é ainda mais forte agora do que em décadas recentes – a não ser que se seja uma celebridade ou a sua aparência corporal seja próxima da perfeição instituída.
Como resultado disso, é necessário uma boa dose de coragem para a maioria das pessoas experimentar a nudez social e ainda mais para admitirem que gostam dessa nudez, quando
conseguem concretizar essa experiência. É necessário coragem para explicar aos séticos, e é melhor nem falar dos que são efetivamente contra, os benefícios da nudez social.

Argumentos racionais a favor da nudez social são, muitas das vezes, ineficazes nas mentes dos séticos e hostis. Tais argumentos podem incluir:

  • Estar nu e livre de roupas simplesmente sabe bem;
  • Estar nu entre outros nus desenvolve sentimentos de abertura e aproximação aos outros;
  • Quando deixamos de usar roupas para esconder os nossos corpos, aprendemos a gostar e a aceitar mais facilmente os nossos corpos;
  • Quando ultrapassamos os nossos medos de estar nus, também ultrapassamos os medos infundados de expor outros aspetos de nós próprios;
  • De forma a apreciar a nudez social, temos de adquirir confiança na forma como dominamos a nossa sexualidade de modo a que essa sexualidade seja menos um problema para nós.

Muitas das pessoas, talvez a maioria, que nunca experimentaram a nudez social, tendem a não acreditar nestes argumentos. Compreendemos isto perfeitamente, e por isso mesmo não acreditamos muito que estes argumentos influenciem as atitudes dos outros em relação à nudez social.

Então onde podemos encontrar a coragem para apreciar a nudez social e, em resultado disso, enfrentar a necessidade de justificar essa escolha? Bom, parcialmente ajuda bastante se nós próprios acreditarmos nessas afirmações enquanto resultado da nossa própria experiência. Mas isto poderá não ser o suficiente, especialmente numa fase inicial, quando ainda estamos a tentar iniciarmo-nos na nudez social.

Atitudes negativas perante a nudez são normalmente adquiridas antes de atingirmos a idade adulta. Muito comummente essas atitudes começam muito cedo na nossa própria família, quando existe hostilidade dentro da família perante a nudez. Deste modo, o tabu contra a nudez será muito semelhante a uma doença genética passada de geração em geração. Mas mesmo para pessoas com a sorte de serem educadas no seio de uma família tolerante para com a nudez, ou mesmo a favor dela, as atitudes negativas podem der assimiladas com os pares à medida que vamos crescendo. É praticamente impossível incutir atitudes positivas sobre a nudez nas pessoas que nasceram numa família adepta ou tolerante e evitar o contacto com outros fora da família que sejam hostis face à nudez.

Aqui fica uma sugestão que tem resultado para muitas pessoas que encontraram a coragem para apreciar a nudez social: Procurar conhecer pessoas que já apreciem a nudez social. A melhor forma de o fazer é ir a locais como praias ou parques e empreendimentos naturistas. No entanto, como não existem tantos locais como deveria haver, poderá ser necessário desenvolver algum esforço nesse sentido. Também terá de ter a coragem necessária para se desnudar, apesar de isto não ser necessário no início; especialmente em praias, onde não é obrigatório estar nu. Assim, pelo menos, não necessitará da coragem extra requerida para justificar às outras pessoas o que vai fazer, uma vez que quem se encontra nesses locais se sente confortável com a nudez social.

Eis a verdadeira recompensa: As pessoas que conhecer que já desfrutem da nudez social poderão ser o seu exemplo a seguir. Elas já adquiriram a autoconfiança necessária naquilo que praticam, E, muito provavelmente, também você irá adquirir gradualmente essa mesma autoconfiança, apenas por conhecê-las e com elas interagir. Com sorte, poderá mesmo concluir que algumas dessas pessoas podem ser inspiradoras, se elas lhe contarem como a nudez social as ajudou a se tornarem mais “focadas”, mais fortes e autoconfiantes. Existem outras formas para atingir os mesmos objetivos (como meditação, yoga, mesmo a filosofia), mas a nudez social tem algumas vantagens, como enumerámos mais acima.

No início do “naturismo moderno” (antes de 1940, aproximadamente), a sociedade era especialmente intolerante a essa questão. Existiam sérios obstáculos legais no seu caminho, especialmente nos E. U. A. Mas a nudez continua a ser insultada atualmente. Praticamente em todos os E. U. A. existem leis mesmo contra as mais irrepreensíveis formas de nudez social pública (em praias, campismo, áreas de caminhada, etc.), e esta situação continua a deteriorar-se.

Nos E. U. A., a nudez não é reconhecida como uma forma de liberdade de expressão ou protesto político, e assim não é elegível para proteção sob a 1ª Emenda. Isto é argumentado com base no facto da nudez por si só não ser uma forma de expressão – apesar de ser bastante óbvio nos casos onde a nudez expressa atitudes relacionadas com a nudez do corpo humano no geral ou individualmente. Mas os tribunais aceitam rotineiramente a duplicidade da sua posição anti nudez, recusando-se deliberadamente a perceber o que a nudez pode expressar. Mesmo as representações não sexuais de nudez são excluídas de forma rotineira das maiores redes sociais, como o Facebook ou o Google+ (que não são obrigadas a basear-se na 1ª Emenda). Em alguns outros países de primeira linha, como o Reino Unido ou Austrália, a situação parece pior, com os governos a construírem muralhas de censura para impedir o acesso a tudo o que acham que algum segmento do seu público irá considerar como “pornografia”.

Portanto, existem estes e outros obstáculos ao livre exercício da nudez social e aos meios para comunicar sobre os seus méritos significativos. Consequentemente, muita coragem e perseverança são necessárias para que as pessoas aprendam e possam escolher seguir este caminho para elas próprias.

Traduzido e adaptado do original Finding the courage to enjoy social nudity
por José Luís Vieira a partir do blogue Naturist Philosopher
http://naturistphilosopher.wordpress.com/2013/12/28/finding-the-courage-to-enjoy-social-nudity/
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