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Muitas vezes se coloca a questão sobre se as praias designadas como espaços naturistas deveriam ser para utilização exclusiva de pessoas sem roupa.

Existem, nesta data, apenas oito praias em território nacional, e todas a sul do Tejo, designadas como espaços naturistas. Umas largas dezenas de outras são habitualmente frequentadas por naturistas de norte a sul do país. Em todas elas coexistem naturistas e não naturistas. De um forma simplista, pode-se afirmar que vedando o acesso a utilizadores de fato-de-banho a estes espaços naturistas proibir-se-ia a nudez em todos os outros locais onde habitualmente é praticada.

Em Portugal, a orla costeira é pertença do Estado enquanto domínio público marítimo, podendo ser concessionada mas nunca alienada. Como tal, todos têm o direito de usufruir de qualquer praia, quer estejam vestidos, quer estejam despidos. A implementação de uma lei a legislar sobre espaços naturistas remete para a proteção dos naturistas e não para a exclusividade do naturismo nesses espaços, uma vez que não existe qualquer outra lei a obrigar que o naturismo se faça exclusivamente nesses espaços. O difícil é explicar isto aos agentes da autoridade que obriguem os despidos a vestirem-se nas praias de uso e costume naturista, ou em qualquer outro local.

Por outro lado, o excesso de afluência de utilizadores vestidos em espaços naturistas pode levar ao afastamento, ou deslocamento dos naturistas desses espaços. Algo notado no Meco, por exemplo, onde a afluência de pessoas com fato-de-banho tem levado à deslocação para sul dos utilizadores naturistas.

Os defensores da obrigatoriedade da nudez nos espaços naturistas usam normalmente o pretexto de poderem ficar mais à vontade quando apenas estão naturistas na praia e que tal reduz a probabilidade de estarem espreitas junto dos naturistas. Curiosamente, uma boa parte dos observadores da nudez alheia mistura-se no meio naturista e não faz uso de roupa para poder observar mais de perto sem levantar suspeitas e quanto menos pessoas vestidas, melhor para estes espreitas. Também a presença de pessoas com fato-de-banho afasta a presença de espreitas das dunas sobranceiras às praias.

O que faz então com que tantas pessoas que não se despem integralmente frequentem os espaços naturistas e os locais de uso e costume? Muitas das vezes são pessoas que procuram ainda a coragem necessária para se despojar de toda uma aprendizagem envolta em vestes. Podem também ser acompanhantes de naturistas. Podem ser mulheres no período menstrual. Podem ser pessoas que procuram apenas o sossego muito associado às praias naturistas. Mas mais importante do que possam ser, estas pessoas, por norma, são pessoas que não têm qualquer problema com a nudez alheia e que acabam por ter um comportamento mais similar com o de um naturista do que alguns dos que se afirmam como tal, demonstrando respeito pelo espaço e pelas pessoas que o frequentam.

O Naturismo é uma prática que vai muito para além da mera nudez. É a integração do Ser Humano na Natureza que se expressa através da nudez social, está ligado ao autorrespeito, à tolerância de diferentes pontos de vista em conjunto com o respeito pelo meio ambiente. Dentro deste espírito, parece-me pacífico acolher nos espaços naturistas todos aqueles que ainda não encontraram a coragem necessária para se expressarem através do seu corpo despido ou que nem mesmo procurem essa coragem, pois devemos tolerar e respeitar aqueles que possuem pontos de vista diferentes dos nossos, mesmo sabendo de antemão que o contrário nem sempre acontece.

Creio que este tipo de postura, tolerante, será muito mais benéfico para o Naturismo do que a proibição de roupa nos espaços naturistas. Permitiria a todos contactar, ver e compreender que o Naturismo não é apenas despir-se e “andar a mostrar as vergonhas”.
Na realidade, o ideal seria que todos se tolerassem mutuamente e os naturistas pudessem andar despidos em qualquer lugar. Mas isto é utopia e os sonhos nem sempre se tornam realidade, apesar de por eles lutarmos. Quem sabe, um dia…

Artigo de opinião por José Luís Vieira:
15/06/2015
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