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As pessoas mais livres que eu conheço são aquelas que menos têm para esconder, defender ou proteger. O nu é poderoso.
Alan Cohen

Um  dos principais objetivos do desenvolvimento pessoal, seja ele entendido  num contexto religioso ou espiritual, ou secular, é efetuar mudanças na  consciencialização. Em linguagem psicológica pode-se falar em procurar  "experiências extremas'', na linguagem espiritual "iluminação", ou  quaisquer outros termos para designar um desejado incremento de  bem-estar.
Assim como médicos e cientistas despendem grandes esforços para explorar formas de necessitarmos de menos cuidados, os atraídos por estes temas  trabalham esforçadamente na tentativa de atingir estados alterados de  consciência (EAC). Enquanto o primeiro esforço tenta nos ajudar a  afastar de estados negativos (de ansiedade e infelicidade) o segundo  tenta nos ajudar a avançar no sentido de estados positivos: de  felicidade e êxtase. Pense nos esforços dos místicos ao longo dos  séculos: o jejum, a meditação, a ingestão de substâncias psicoativas,  participação em rituais e austeridades.

O  que tem isto a ver com a nudez? Retirar as nossas roupas no contexto  certo também pode provocar um estado alterado de consciência, e isso  merece uma consideração que até agora tem sido negada por razões  culturais. Mesmo assim, alguns praticantes espirituais já descobriram o  poder nesta técnica, como certos monges jainistas e hindus, wiccanos e  pagãos, e alguns cristãos radicais. Do ponto de vista psicológico, a  capacidade de nudez para criar EAC, como são chamados, também foi  descoberto por psicoterapeutas na Califórnia na década de 60.
O  tipo de pensamentos, sentimentos e sensações que ocorrem num EAC varia,  e algumas experiências podem se encaixadas na categoria de um EAC  desencadeadas pelo despojar-se de roupas. Pelo menos três experiências  distintas podem ocorrer isoladamente ou em combinação: a sensação de ser  "desmascarado", perceção sensorial intensificada e sensação de inocência infantil.

Retirando as máscaras
Comumente  os naturistas dizem que o nudismo social é um nivelador e um meio  através do qual cada um se pode conhecer, liberto da "máscara" do  vestuário. As roupas dissimulam, diz a teoria, e vestimo-nos para  impressionar e para encobrir qualquer sentido de deficiência. Aqueles  com experiência de resorts naturistas relatam que, embora a falta  de roupa leve a uma certa sensação de autenticidade e empatia para com  os outros, o poder de nudez para nos abrir a um nível mais profundo de  autenticidade, pelo despojamento de algumas das nossas defesas, apenas pode  ser acedido num ambiente mais ritualizado. As máscaras que usamos estão  muito bem cimentadas na nossa psique: ainda estamos confinados às  prisões da nossa classe, sexo, história pessoal e à cultura, mesmo  quando nus. Mas como os psicoterapeutas na Califórnia, que  experimentaram o despojamento de roupas para incentivar a quebra de  barreiras defensivas, descobriram, a remoção das roupas pode oferecer um  primeiro passo valioso no processo de eliminação de máscaras.
Mas  também precisa haver uma razão de ser e de uma metodologia ou prática.  Os monges vestidos de céu jain e hindus têm-na: a falta de roupas  reforça na experiência quotidiana o desejo de não ter desejo, a crença  no valor do não-apego. Deste ponto de vista, as roupas são adereços do  ego, espelhos que desviam a nossa própria perceção, e a dos outros, para  longe da nossa verdadeira natureza. A forma como a nudez pode ser usada  para retirar o ego de modo a que "fiquemos nus diante de Deus ou dos  deuses" é um processo que também tem sido compreendido no Judaísmo,  Cristianismo, nos Mistérios Clássicos e Wicca. Cada um tem usado, ou  usa, o poder da nudez para sinalizar o renascimento para uma vida de  maior autenticidade e de um compromisso mais profundo. Durante séculos,  os rituais de imersão judaicos e o batismo cristão ocorreram a nu. Em  alguns dos Mistérios, o candidato entrava no templo nu. Na Wicca  Gardneriana o candidato é iniciado na nudez, e depois pratica a Craft  nu.

Perceção Sensorial intensificada
Assim  como sentir-se desmascarado, não esconder a luz da sua verdadeira  natureza debaixo de um monte de roupas, uma experiência comum nas  pessoas que usam a nudez por razões espirituais é possuir uma sensação  de perceção sensorial aumentada. De repente, está a sentir o sol, a  brisa, a água, em toda parte, em todo o corpo. Percebe que toda a pele  respira, que não está a ocorrer só através da boca e nariz. Ao sentir  isto, mesmo usando essas perceções alteradas em meditação, o nudista  espiritual ganha uma maior sensação de unidade com a Natureza, com toda a  vida. E é por isso que estas abordagens, que não rejeitam os prazeres  do corpo (as espiritualidades sensuais do paganismo, druidismo, Wicca e  misticismo da natureza), tendem a atrair as pessoas que estão mais  abertas à ideia de que o despojamento de roupas pode oferecer um meio  válido para alterar a consciência e trabalhar na direção dos objetivos  espirituais.

O regresso à inocência
Então,  está a sentir-se mais perto de Natureza, as máscaras da personalidade  removidas - talvez para a consciência nua procurada por budistas  Dzogchen - que mais? Uma certa sensação de inocência infantil é muitas  vezes relatada por aqueles que estão nus na natureza: quer em resorts  naturistas, quer a nadar nus ou no novo entusiasmo de "nadar selvagem".  Esta experiência é bastante diferente do que poderia esperar de um  sentido de rebaixamento e consequente culpa, em vez de inocência. Um  psicólogo poderia explicar isto como resultado das memórias de tomar  banho nu como uma criança pequena antes de aparecerem as questões de  autoconsciência ou mesmo vergonha. Nudistas cristãos dizem que  retornamos a um estado pré-queda de Adão e Eva, o nosso estado natural  antes do pecado original.
Quando  as pessoas descobrem o Naturismo pela primeira vez, podem, por vezes,  sentir uma espécie de experiência de conversão, sentem-se "renascidos"  com um novo sentido de liberdade, com um afastamento do seu antigo eu e  de todas as suas preocupações e aborrecimentos. Passeando por um resort  naturista no campo, parando para nadar ou conversar com alguém, se assim  o entender, pode se sentir como se tivesse caído na Utopia (a  civilização ideal).

Traduzido e adaptado por José Luís Vieira a partir de:
http://www.druidry.org/druid-way/other-paths/naturism/how-appropriate-use-nakedness-can-promote-goals-religion-spirituality
em 23/11/2014
Produzido por Young Naturists America, este vídeo mostra como o amor pela Natureza e um sentido de Alma, bem como uma celebração liberta da vergonha do corpo, está a ser expresso no Movimento Naturista de hoje.
Este outro vídeo mostra o trabalho do fotógrafo Jack Gescheidt e o seu Projeto Espírito Árvore, que une objetivos políticos, ambientais e artísticos com consciência espiritual.
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