verdadeirosnaturistas - Associação Pensamentos ao Vento

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Num artigo de Amanda Collins, datado de 06 de novembro de 2015, no site dos True Nudists (Verdadeiros Nudistas), encontrei um texto que nos deixa quatro questões para que percebamos se somos realmente verdadeiros nudistas:

1. Com que regularidade anda nu em casa?
2. O que faz quando alguém sugere ficar nu?
3. O que acha de eventos onde a roupa é opcional?
4. As férias são perto de locais onde se possa andar despido?

Se as perguntas nada têm de especial, já as respostas dadas, de modo a ter a noção se se é um verdadeiro nudista, levam a crer que realmente existe uma diferença entre os conceitos nudismo e naturismo. Não coloco em causa a qualidade do artigo, pelo contrário, achei-o muito bom, mas todas as respostas descartam a socialização e centram-se na individualidade, apesar das três últimas respostas incluírem interação com outras pessoas, mas não uma socialização na verdadeira acessão da palavra. Na realidade, foi mesmo a resposta à primeira questão que me fez pensar novamente no nudismo versus naturismo: “(…) Nudistas estão confortáveis na sua própria pele e gostam da sensação de liberdade, especialmente quando estão em casa e não há mais ninguém à volta.”

Um dos aspetos que associo ao nudismo é precisamente a preferência por estar nu de forma isolada, sem ninguém por perto. Com isto também se perdem alguns do benefícios associados ao naturismo, nomeadamente psicológicos e sociais.

A aceitação do próprio corpo só faz sentido num contexto social pois, quando olhamos o nosso corpo, fazemo-lo com base na conceção que a sociedade nos dá; é a partir dessa realidade social que nós criamos as ideias erradas relativamente ao nosso corpo. Aceitar que o outro olhe o nosso corpo sem ficarmos constrangidos é uma característica do naturismo e aumenta a nossa autoestima pois deixamos de nos preocupar se estamos, ou não, de acordo com os (errados) padrões sociais, sem nos preocuparmos se os outros acham se estamos dentro dos padrões socialmente estabelecidos. Não me interessa, é o meu corpo.

Isto não quer dizer que não nos preocupamos com o nosso corpo. Creio que até nos faz cuidar mais do nosso corpo. Não para atingirmos a perfeição, mas porque tomamos consciência que necessitamos de um corpo saudável.

A própria conceção de naturismo, como um modo de vida em harmonia com a Natureza, expressa através da nudez social, ligada ao autorrespeito, à tolerância de diferentes pontos de vista em conjunto com o respeito pelo meio ambiente, indica que a nudez deve existir no contexto social e não de forma isolada, até porque a falta de roupas acaba por deitar por terra diversas barreiras relacionadas com os estratos sociais, dado que deixam de existir roupas ou acessórios que nos permitam ter a noção do tamanho da carteira da outra pessoa, incrementando a interação social, pelo menos de uma forma inicial.

Durante a interação inicial já poderá ser possível perceber qual o estrato social do interlocutor. Os naturistas, como qualquer outra pessoa, podem, ou não, gostar de estar perto e interagir com o indivíduo A ou B, não será pelo seu estrato social que se vão afastar, mas é sempre necessário que exista empatia. Em oposição, sendo apenas nudista, acredito que quer o aspeto do corpo do outro indivíduo, quer a perceção do estrato social, poderá ser o principal motivo para afastamento.

Tenho “apreciado” o comportamento de alguns indivíduos, quer ao vivo, quer em redes sociais, que se afirmam como naturistas mas que são facilmente enquadráveis na conceção de nudista pois, por se acharem donos do corpo socialmente perfeito, por acharem que estão num estrato social superior, ou apenas porque se acham superiores, rebaixam outros fora dos tramites sociais da moda, esquecendo-se que o socialmente correto varia de acordo com as culturas e tendências. Pior, esquecem a efemeridade da sua situação corporal e social. O que hoje é, amanhã pode não ser e haverá sempre alguém melhor do que eu.

Daí eu manter a afirmação que sou naturista. Não um verdadeiro naturista, pois também não chego a perceber o que querem dizer com verdadeiro naturista; não existem cidadãos perfeitos, existem cidadãos. Mas definitivamente não sou um nudista uma vez que prezo a interação com outros quer esteja sem roupa, quer com roupa, pois nem todos aqueles cuja companhia prezo conseguem conviver socialmente sem roupas, mas continuo a não entender aqueles que se afirmam naturistas e não aproveitam as oportunidades que se lhes colocam à disposição para conviver sem o peso das roupas. Creio que estes afinal são nudistas que gostam é de estar de papo para o ar na praia a apreciar o sol, o mar … e os corpos alheios.

Artigo de opinião por José Luís Vieira:
em  31/03/2016
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